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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

6ème - A Civilização Egípcia: o papiro

O PAPIRO, A PLANTA QUE SERVE PARA TUDO


     O papiro serve para confecionar as folhas de papel sobre as quais os escribas escrevem. Mas esta planta, símbolo do Egito dos faraós, tem inúmeras utilizações.



Onde crescem os papiros?

Desenvolvem-se nas zonas pantanosas. São particularmente abundantes no delta do Nilo. As suas hastes, de forma triangular, têm a grossura de um braço. Atingem três a quatro metros de altura. Na extremidade, as folhas formam uma larga corola.
A planta do papiro (cyperus papyrus)


A colheita
Começa quando as hastes são suficientemente altas mais ainda flexíveis. Os operários cortam os papiros sem arrancar as raízes. Trabalham na lama, tendo cuidado com as cobras, crocodilos e hipopótamos. Reunidos em molhos, os papiros são em seguida transportados no dorso de bois ou de burros.
Os molhos de papiro eram usados no fabrico de barcas.
Útil para a confeção de barcas
Não há florestas no Egito e a madeira importada é reservada à construção de grandes navios. As barcas são portanto fabricadas com feixes de papiros ligados entre si. As velas e os cordames são também tecidos com papiros.

Como se obtém papel a partir de papiros?
A casca é retirada e a medula (o coração) é cortada em finas lamelas (1 e 2), que são esmagadas com um maço. Depois de terem sido demolhadas em água para amolecerem, as finas tiras obtidas são estendidas a direito e depois cobertas com uma segunda camada disposta no sentido contrário (3). A folha é em seguida abundantemente molhada e bem martelada (4 e 5). Dessa forma, a seiva da planta cola solidamente as tiras entre si. Resta apenas deixar secar esta folha para que ela esteja pronta para ser utilizada (6). As folhas são depois muitas vezes reunidas umas às outras a fim de formarem rolos.
A preparação das folhas de papiro
Um papel resistente
A folha de papiro tem numerosas qualidades: é flexível, enrola-se sem se rasgar, não absorve a tinta e conserva-se muito tempo. Mas essas belas folhas são caras porque demoram muito a fabricar. Os escribas só as utilizavam para copiar textos importantes. Foram encontrados papiros perfeitamente conservados após vários milhares de anos.

Papiros para iluminar, para vestir, para mobilar e para comer!
As hastes secas servem para alimentar o fogo ou construir cabanas. A medula é utilizada como mecha de archote para iluminar. Com a casca, os Egípcios entrançam cestos, esteiras, saiotes, sandálias, gaiolas e os passadores. As hastes jovens são comidas em salada, a medula é assada no forno. Em contrapartida, não se podem dar as folhas aos animais porque são cortantes.

O papiro na arte
Os talhadores de pedra inspiraram-se na forma dos papiros para desenharem e esculpirem as colunas dos templos. Os artistas egípcios representam-nos muitas vezes nas suas pinturas e esculturas.
Colunas com capitéis em forma de papiro (Templo de Hórus, Edfu)
Um símbolo de juventude
O papiro é o símbolo do rejuvenescimento, juventude e da alegria. Faz parte das oferendas apresentadas à divindade com cabeça de vaca, Hator, deusa associada à alegria e ao amor.

ALGUMAS PERGUNTAS
1. No Egito, onde crescem os papiros?
2. Descreve, com palavras tuas, a planta do papiro.
3. Indica três utilizações dadas ao papiro.
4. Porque razão os Egípcios utilizam papiro para construir os seus barcos?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

6ème - A Civilização Egípcia: o além

A MUMIFICAÇÃO

     Os Egípcios acreditam que uma outra vida começa depois da morte. Mas para que o defunto permaneça imortal, o seu corpo deve conservar a aparência que tinha quando estava vivo.
O embalsamamento. Por vezes, um dos sacerdotes que preside ao embalsamamento usa a máscara de Anúbis.

Por que o corpo deve conservar a sua aparência?
Os Egípcios acreditam que todos os homens possuem uma alma, o Ba, e um duplo invisível, o Ka. Depois da morte, o Ba e o Ka abandonam regularmente o corpo do defunto, viajam e depois regressam ao cadáver. Se o corpo se decompõe, o Ba e o Ka vagueiam sem cessar à sua procura e o morto não pode aceder à vida eterna no Além.

Como é conservado o corpo?
Os Egípcios tinham-se apercebido que quando os corpos dos seus defuntos eram enterrados no deserto, o calor da areia secava a carne. O cadáver conservava assim a sua aparência e não se decompunha. A arte de embalsamar e de mumificar consiste em reproduzir esse fenómeno natural utilizando natrão, um sal que se encontra em abundância no solo do Egito.

A preparação do corpo
O embalsamador extrai o cérebro do crânio com o auxílio de um ferro recurvado que introduz pelas narinas. Por uma incisão feita no ventre retira as vísceras: os pulmões, o fígado, o estômago e os intestinos. Cada um desse órgãos é cuidadosamente envolvido num pano de linho e depositado num vaso canopo. O coração, que é considerado como a parte do corpo na qual se situam os pensamentos e os sentimentos, é retirado, embalsamado e colocado de novo no tórax. Às vezes, é substituído por um escaravelho de pedra em forma de coração.

Vasos canopos. Museu do Louvres, França.

A mumificação
A desidratação do corpo dura cerca de 70 dias, durante os quais o corpo é colocado num banho de natrão. Esse sal mineral retira a água contida na carne. Quando o cadáver está suficientemente seco, o embalsamador limpa-o com óleo, pomadas, especiarias e resina de pinheiro. Enche a cabeça e o corpo de linho e serradura de madeira e depois fecha o corte feito no lado e cobre-o com uma folha de cera de abelha. No lugar dos olhos são colocados pedaços de linho, cera ou pequenas cebolas. Os dedos das mãos e dos pés são por vezes protegidos com folhas de ouro.



Amuletos nas ligaduras
A múmia é em seguida envolta num pano e depois rodeada por ligaduras de linho, unidas umas às outras por outras tiras mais estreitas. Durante esta operação, são introduzidos amuletos nas ligaduras em determinados locais do corpo. O rosto é coberto por uma máscara com a efígie do defunto. A dos faraós é em ouro, os egípcios mais modestos contentam-se com ligaduras de linho e folhas de papiro coladas umas às outras e cobertas de gesso. São colocadas flores e folhas de palmeira sobre o corpo.

Múmia de Ramsés II. Museu do Cairo, Egito. Encontrada no século XIX em perfeito estado de conservação, a múmia de Ramsés II,  vítima de um fungo de cogumelo ao contacto do ar moderno, quase se destruía. Foi salva pela ciência em 1977. 
Os sarcófagos
Durante o Império Antigo, os sarcófagos têm uma forma retangular e são talhados em madeira, no entanto os dos faraós são de granito. A partir do Império Médio, têm a forma de um corpo humano e são construídos com uma espécie de cartão feito com folhas de papiro.

Sarcófago secundário do faraó Tutancamon. Museu do Cairo, Egito.

A PESAGEM DA ALMA

     Os Egípcios pensam que, para aceder ao reino dos mortos, o defunto deve passar pela temível prova da pesagem da alma. Se o seu coração for mais pesado do que a pluma de Maet, será devorado.

O tribunal de Osíris
Conduzido pelo deus Hórus, o defunto é levado junto de Osíris. Sentado no seu trono e rodeado por 42 juízes, Osíris, o deus do Além, preside à cerimónia da pesagem da alma. O defunto deve em primeiro lugar jurar que não cometeu nenhum pecado no decurso da sua vida, que nunca fez mal, que nunca roubou,… Tot, o deus dos escribas, anota as suas respostas.

A pesagem do coração
Para saber se o defunto disse a verdade, o seu coração é colocado num dos dois pratos de uma balança. No outro é colocada a pluma de Maet. Anúbis vigia a pesagem. Se os pratos se equilibram, está provado que o defunto agiu bem. O coração é-lhe restituído e pode entrar no reino dos mortos. Se, pelo contrário, a balança pende para o lado do coração, Ammut, monstro com cabeça de crocodilo, corpo de leão e patas traseiras de hipopótamo, apodera-se do coração e devora-o. O defunto sofre então o pior dos castigos, não chegará ao Além.

O tribunal de Osíris. Papiro de Hunefer. Museu Britânico, Inglaterra.
O que acontece ao defunto no reino dos mortos?
Durante o dia, permanece no seu túmulo. Entretanto, o seu Ba (alma) viaja e visita a sua família, À noite, o defunto sobe para a barca de Ré e de manhã regressa ao seu túmulo, alimenta-se e repousa. Todos os Egípcios desejam atingir o reino de Osíris depois da sua morte.



ALGUMAS PERGUNTAS
1. Explica, por palavras tuas, como são conservados os corpos dos defuntos.
2. Para que servem os vasos canopos?
3. Descreve, com as tuas próprias palavras, a cerimónia da pesagem da alma.

6ème - A Civilização Egípcia: a vida quotidiana

VESTIR-SE, LAVAR-SE E MAQUILHAR-SE

     Os Egípcios vestem-se ligeiramente: um saiote para os homens, um vestido para as mulheres. Ricos ou pobres, usam jóias que são acima de tudo amuletos.

Vestuário de linho branco
O vestuário é confecionado em linho. Trata-se de um tecido fresco quando está muito calor e quente quando faz mais frio. A lã é usada muito raramente porque é de origem animal e considerada impura. O tecido é quase sempre branco: os Egípcios utilizam, com efeito, poucos corantes. Alegram o seu aspeto com colares de flores, jóias e contas cosidas.
A moda egípcia

Saiotes e vestidos
Os homens vestem geralmente um saiote seguro na cintura por um simples cordão para os mais pobres e por um belo cinto para os mais abastados. Usam por vezes saias e túnicas. As mulheres envergam vestidos muito justos, presos nos ombros por finas alças. No Império Novo, os vestidos são mais largos e cobertos por uma túnica. As indumentárias de festa distinguem-se pela delicadeza do seu tecido quase transparente e pela elegância das suas pregas.

Pés descalços ou com sandálias?
Os Egípcios só se calçam no interior das casas. No exterior, andam quase sempre descalços, com as sandálias de papiro, ráfia ou junco presas ao cinto ou transportadas por um servo.

Como se lavam os Egípcios?
Devido ao forte calor, os Egípcios lavam-se todos os dias. Nas casas mais ricas, é reservado um compartimento para a sua higiene. O sabão não existe, os Egípcios utilizam um sal extraído do solo ou uma mistura de cinzas e argila. Depois de se terem lavado, homens e mulheres nutrem o corpo com pomadas que amaciam a pele e perfumam-se com essências vegetais.

A arte do penteado
Os homens barbeiam-se com cuidado e mandam cortar o cabelo regularmente. No Império Novo, as mulheres têm os cabelos compridos. Nos dias de festa, tanto uns como outros usam perucas perfumadas e compostas por cabelos verdadeiros ou fibras vegetais.

Pente em marfim do faraó Ouadji. Museu do Cairo, Egito.
Uma maquilhagem cuidada
Os homens e as mulheres, e às vezes mesmo as crianças, maquilham-se. Desenham o contorno dos olhos com um traço de khol negro e pó verde extraído da malaquite (um mineral dessa cor). As faces e por vezes os lábios são pintados de vermelho obtido a partir de pós naturais misturados com óleo. A hena, fabricada com uma planta seca e reduzida a pó, é utilizada para tingir os cabelos, as unhas, a palma das mãos e a dos pés. Estas maquilhagens exigem substâncias, por vezes raras, provenientes de longe e que são caras.

As jóias
Todos os Egípcios se adornam com jóias que são supostas protegê-los contra os perigos da vida e, em especial, da má sorte. Os colares mais simples são constituídos por um cordão com uma pequena concha. Os mais ricos usam jóias muito delicadas adornadas com pedras preciosas (lápis-lazúli, turquesa, ametista,…), marfim, prata ou contas de vidro. Os ourives cinzelam anéis, pulseiras, argolas, brincos,...
Colar de Senefer. Museu do Louvres, França.

ALGUMAS PERGUNTAS
1. Com que tipo de material eram confecionadas as roupas dos Egípcios?
2. Explica, por palavras tuas, como se lavavaml os Egípcios.
3. Nos dias de festa, que tipo de penteado usavam?
4. Que materiais são usados pelos ourives?

6ème - A Civilização Egípcia: os hieróglifos

OS HIERÓGLIFOS, IMAGENS PARA ESCREVER
     Os Egípcios não inventaram a escrita. Esta nasceu por volta de 3300 a.C., na Mesopotâmia, a leste do Egito. Os hieróglifos egípcios surgem um pouco mais tarde, cerca de 3100 a.C.

Imagens retiradas da vida quotidiana
A escrita egípcia é constituída por desenhos chamados hieróglifos. Cada um deles foi criado a partir de elementos presentes na vida: um homem, um olho, um pato, uma pena, um junco, um barco, a água, o céu, uma corda,… Durante o Império Antigo, existem cerca de 750 sinais diferentes. Com o correr dos séculos, os escribas acrescentam-lhes novos. Na época de Cleópatra, atingem o número de 2500!


Uma leitura complicada
A escrita egípcia é difícil de ler porque os hieróglifos podem indicar um sentido ou um som. Uma mesma figura pode ser utilizada de várias maneiras. O desenho de um pato, por exemplo, pode querer significar a palavra pato ou um som que entra na composição de uma palavra, mas pode também fazer parte de uma expressão.
Hieróglifos, Templo de Kom Ombo, Egito.

Como decifrar um sinal?
Par saber se um sinal é utilizado como um som ou como uma palavra, os escribas colocam o desenho de um pequeno bastão ao Aldo do sinal: indica que o hieróglifo do pato, por exemplo, representa a palavra pato. Se não houver bastão, é um som. Mas há outra dificuldade: o sinal do pato, associado a outro sinal, pode modificar o sentido.

O sentido da leitura
Outro problema da escrita egípcia: escreve-se e lê-se da esquerda para a direita, ou o inverso, e de cima para baixo, ou o contrário! Para detetar o sentido da leitura é necessário observar como são desenhados os sinais.

Uma escrita sagrada
De acordo com os Egípcios, teria sido o deus Tot a trazer a escrita aos homens. Os hieróglifos têm portanto um caráter sagrado. São reservados aos textos religiosos que figuram nos templos e nos túmulos.

Os hieróglifos decifrados
Cerca de 400 d.C., os templos são fechados. Os sacerdotes desaparecem. Mas ninguém sabe ler a escrita sagrada dos Egípcios. É necessário esperar quinze séculos e a descoberta da Pedra de Roseta… Um oficial de Napoleão Bonaparte descobre esta pedra em 1799, no porto de Roseta, no delta do Nilo. Esta estela comporta um decreto do faraó Ptolomeu V. O texto está redigido em duas línguas, o grego e o egípcio, e em três escritas, o grego antigo, os hieróglifos, e a escrita demótica (uma simplificação da escrita hieroglífica). Em 1822, Jean-François Champollion, um especialista da civilização egípcia, apresenta uma tradução do texto contido na pedra, e por conseguinte uma interpretação dos hieróglifos egípcios. Champollion usa para isso uma cartela real de Ramsés II. Compreende então que os hieróglifos podem ser utilizados pelo seu símbolo ou pelo seu som.
A pedra de Roseta. Museu Britânico, Inglaterra.
Jean-François Champollion, por Auguste Bartholdi, 1875, Collège de France, Paris.


ALGUMAS PERGUNTAS

1. O que indicam os hieróglifos?
2. Explica como são lidos os hieróglifos?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Os primeiros aldeamentos neolíticos: Çatal Hüyük

Reconstituição de Çatal Hüyük

     A descoberta deste aldeamento neolítico, situado na região da Anatólia, na atual Turquia, foi uma das descobertas arqueológicas mais significativas de todos os tempos. Datada de 6000 a.C., esta verdadeira cidade teria acolhido até 5000 habitantes repartidos por mais de mil casas. As habitações, feitas de adobes (tijolos de argila), eram retangulares e dispostas lado a lado como favos de mel. O acesso às casas efetuava-se pelo terraço atravès de escadas de madeira.No interior, havia fornos, lareiras e bancos de pedra.


CLICA NA IMAGEM
Reconstituição de uma casa de Çatal Hüyük

Interior de uma habitação neolítica de Çatal Hüyük

As ruínas da cidade de Çatal Hüyük

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Neandertal

Um interessantíssimo episódio da série "C'est pas sorcier!" sobre o Homem de Neandertal. Para os alunos de 6ème e não só...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As eras históricas

Para os alunos de 6ème, na disciplina de História, aqui poderão encontrar a tabela das eras históricas.
Copiar para o caderno...


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Teatro "A Menina do Mar" no PMC

Representação do conto de Sophia de Mello Breyner, A Menina do Mar, pelos alunos da Oficina de Teatro do Collège Pierre et Marie Curie.
Adaptação, coordenação e encenação da Prof. Helena Cortinhas.

Distribuição:
A menina do mar - Bárbara Carvalho
O rapaz - Eva Rocha
O caranguejo - Maëva Silva
O polvo - Toni Cunha
O peixe - Camille Nunes
A raia - Mathilde Xavier
A gaivota - Anne Sophie Silva
O golfinho - Clara Marques
O rei do mar - Johana Amorim
Os búzios - Francisco Carvalho, Jade Bourzeix
O narrador - Beatriz Rodrigues






sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Visita de Estudo: 6ème PMC

A turma de 6ème PMC juntamente com a prof. de Língua Portuguesa, Carla Lourenço, a Sra. Vanda Lopes (mãe da aluna Inês Ferreira), que gentilmente nos acompanhou, e a Sra. Maria Marques, funcionária do museu e mãe do aluno Lucas Marques. Ah, e também o prof. de História, Miguel Guerra, a fazer de fotógrafo...

     Na segunda-feira, 04 de novembro de 2013, os alunos da turma de 6ème do Collège Pierre et Marie Curie, de Le Pecq, visitaram o Museu de Arqueologia Nacional, em Saint Germain-en-Laye. A visita consistiu na descoberta do espólio do museu referente aos períodos pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico.


O castelo de Saint Germain-en-Laye onde se encontra sediado o museu.

     Segue um resumo da visita...
Atentos às explicações da guia do museu...

– O PALEOLÍTICO (2,9M - 11 000 a.C.) –

     O Paleolítico, a Antiga Idade da Pedra ou ainda a Idade da Pedra Lascada, corresponde ao período inicial e ao mais longo da era do Quaternário. O termo foi criado em 1865 e baseia-se na existência de utensílios de pedra lascada. Na Europa, podemos dividi-lo em três períodos: Inferior, Médio e Superior. 


Homo habilis, o primeiro hominídeo

     O início do Paleolítico coincide com o aparecimento do Homo habilis, o primeiro representante da espécie humana, que viveu em África entre 2,5 e 1,3 milhões de anos. Estes homens, instalados nas margens de rios ou de lagos, alimentavam-se de vegetais que recolhiam e de animais que caçavam, eram caçadores-recoletores.


Homo erectus, o primeiro europeu
     Entre 1,8 e 0,7 milhões de anos, o Homo erectus, sucessor do Homo habilis, conquista pouco a pouco todas as regiões temperadas da Terra (África, Ásia, Europa). O clima alterna períodos frios e temperados e é nesta altura que aparecem os primeiros instrumentos simétricos, os bifaces, produzidos através de uma técnica de fabrico que irá permanecer durante longos milénios. A lascagem consiste no desbastamento de um bloco de pedra, o núcleo, através da percussão com outra pedra ou osso, o percutor. Os bifaces são os instrumentos dominantes na cultura acheuliana (do nome da aldeia de Saint-Acheul, no norte de França). O aperfeiçoamento desta técnica permitiu a produção de instrumentos cada vez mais precisos como raspadores e pontas de azagaia.

O Homem de Neandertal e o Paleolítico Médio (200 000 - 40 000)
     Este hominídeo, que surge há cerca de 200 000 anos durante o Paleolítico Médio, povoou grande parte do continente eurasiático, inclusivamente as zonas montanhosas como os Alpes e os Pirenéus, assim como as regiões glaciares nórdicas. Por volta de –90 000 anos, uma nova etapa é alcançada já que surgem as primeiras preocupações não utilitárias; o Homem de Neandertal, tal como o homem moderno, sepulta os seus mortos. Os vestígios deixam crer que eram praticados rituais e que existiam crenças complexas em torno da morte.
Raspadores em sílex

Homo sapiens sapiens e o Paleolítico Superior (40 000 - 11 000)
     O homem moderno, Homo sapiens sapiens, viveu grandes alterações climáticas que alternaram períodos de frio intenso, com diversas glaciações, e períodos temperados, dando origem ao aparecimento de uma densa vegetação. Durante o período mais intenso da glaciação, o nível do mar encontrava-se cerca de 120 metros abaixo do nível atual. As técnicas de lascagem, cada vez mais perfeitas, permitem o fabrico de utensílios diversificados para tarefas distintas: lâminas e facas, para despedaçar e talhar a carne; raspadores, para trabalhar as peles e as madeiras; buris e furadores, para o trabalho do osso e das pedras mais macias, permitindo fabricar agulhas para a confeção do vestuário em peles, arpões para a pesca, etc.; pontas de azagaia e de lança, usadas na caça.
     Grande parte dos animais caçados pelo Homo sapiens sapiens permanece, na atualidade, no continente europeu. Renas, cavalos, bisontes, antílopes, camurças (ou cabra-montesa), mas também espécies desaparecidas como o auroque, o mamute ou ainda o rinoceronte-lanudo, constituíam a caça predileta e a principal fonte de alimento para estes homens. Estes grupos de caçadores-recoletores eram nómadas, seguindo a migração dos animais (renas, cavalos), procurando recursos sazonais (vegetais, pesca do salmão), mas também pela necessidade de se encontrar com outros grupos humanos para trocar bens ou participar em tarefas rituais. Para além dos vegetais, outras matérias são coletadas como o sílex, uma pedra muito dura e cortante, e os seixos, nos leitos dos rios.
     O habitat destes homens não era sempre o mesmo, vivendo em cavernas (como na gruta de La Madeleine, na Dordonha) mas também ao ar livre. Os acampamentos eram temporários, utilizados durante várias semanas ou durante uma estação. Nas planícies do norte e do leste da Europa, os acampamentos são regra, construindo-se cabanas em madeira. Nas regiões mais amenas da Europa ocidental, os acampamentos são organizados em torno da fogueira que serve para cozinhar os alimentos, alumiar-se, aquecer-se, aperfeiçoar o fabrico de certas armas e utensílios.
     Neste mundo povoado de animais, o homem vive em comunhão com a natureza e sente a necessidade de expressar essa união através diversas representações simbólicas. Foram descobertas pelos arqueólogos numerosas estatuetas de cavalos, ursos, leões, mamutes assim como objetos decorados com figuras animais (propulsores de azagaias, bastões), mas as gravuras e pinturas rupestre (arte parietal) foram, sem dúvida, as mais grandiosas representações executadas pelos homens do Paleolítico Superior. Em contrapartida, a figura humana teve uma representação secundária.
Propulsor para azagaias

     O homem do Paleolítico Superior preocupa-se cada vez mais com a morte; os arqueólogos encontraram vários vestígios de sepulturas contendo, por exemplo, o esqueleto de uma criança adornada com um colar de contas e conchas. Os corpos são enterrados no próprio habitat. Os cultos e rituais em torno da morte são diferentes em função da região, no entanto, é possível afirmar que a preocupação com a morte é constante nestas comunidades humanas.
A famosa Vénus de Brassempouy, também conhecido como Dama do capuz

– O NEOLÍTICO (11 000 - 3 000 a. C) –

     O Neolítico, a Nova Idade da Pedra, é conhecido também por a Idade da Pedra Polida, devido à nova técnica de produção de instrumentos então desenvolvida: o polimento. No entanto, este período caracteriza-se sobretudo pelas grandes transformações económicas e sociais que sofreu, num período também apelidado de Revolução Neolítica.
Pedra de polimento


As inovações técnicas

     O polimento da pedra transformou a vida das comunidades humanas, permitindo usar outras pedras para além do sílex e criar outro tipo de instrumentos como o machado e a enxó. Estes dois utensílios com pedra polida, usados no trabalho da madeira, surgem com o aparecimento das florestas europeias que se desenvolvem com o fim do período glaciar. Para abater as grandes árvores que florescem pela Europa são necessários utensílios robustos e sólidos.

     O aparecimento da cerâmica é o resultado da primeira utilização técnica do fogo. A produção de vasos de terracota é feita no solo em pequenos buracos onde a temperatura atinge os 800ºC. Suportando o contacto do fogo, a cerâmica vai alterar os hábitos alimentares das comunidades humanas (sopas e papas cozem longamente nas brasas).
Utensílios neolíticos em cerâmica

     A tecelagem é outra das atividades artesanais (com a cerâmica e a cestaria) que caracteriza o período neolítico. Porém, chegaram até nós poucos vestígios (alguns fragmentos de tecido, solas de sapatos em corda). Os utensílios usados são mais frequentes: pesos de teares, pentes de cardagem, agulhas.

Uma nova economia
     A caça e recoleção continuam a ser atividades importantes no quotidiano das comunidades neolíticas, porém, é adotada uma economia de produção com o aparecimento da agricultura e da pastorícia. As práticas alimentares transformam-se radicalmente. Cultivam-se plantas gramíneas como a cevada e o trigo, assim como legumes como a ervilha e a lentilha. Essas primeiras culturas surgem no Médio Oriente, na região do Crescente Fértil. Os vestígios arqueológicos revelaram um grande número de mós manuais e de lâminas de foices. Os grãos eram armazenados em silos escavados na terra ou em grandes cestos de vime. 
A criação de ovelhas e cabras, vindas do Médio Oriente, de vacas e de porcos fornece carne para a alimentação. Mais tarde, são aproveitados o leite, a lã ou ainda a força de tração destes animais. O cavalo será domesticado nos finais do Neolítico tal como o fora o cão durante o período paleolítico.

Aldeamentos, especialização e trocas
     Os primeiros aldeamentos são constituídos por uma dezena de casas concebidas para durar. Estas habitações eram fabricadas em madeira e taipa (mistura de palha e argila), por vezes com fundações em pedra.
Com a sedentarização, os homens especializam-se em certas atividades. Assim sendo, precisam de obter o que já não têm tempo de fabricar através da troca com o que produz em excesso: por exemplo, lâminas em sílex originárias do centro de França foram descobertas pelos arqueólogos na Suíça e na Holanda! 

Venerar os mortos
     A cada aldeia, o seu cemitério… Com o sedentarismo, as necrópoles surgem ao lado dos aldeamentos. Num primeiro tempo, a sepultura é individual: o defunto é acompanhado de alguns objetos funerários como colares, vasos e utensílios de pedra. A partir do 4º milénio a. C., em toda a fachada atlântica da Europa (desde as ilhas britânicas até à Península Ibérica e Portugal) surgem imponentes monumentos de pedra, os megálitos. No entanto, poucos são os que tinham o privilégio de serem sepultados em antas ou junto de menires, por isso pensa-se que estava reservado a pessoas importantes nas comunidades. A partir do 3º milénio, as sepulturas individuais voltam a ser mais numerosas, o que deixa pensar que começam a estabelecer-se diferenças sociais em função da riqueza e da influência dentro dos grupos humanos.
Esqueleto feminino com adornos

Arte e religião

     É extremamente difícil entender o pensamento religioso destas comunidades humanas tendo em conta que não conhecem a escrita. Contudo, foram descobertas estatuetas em terracota, pedra ou osso que reproduzem a figura humana e, em particular, a mulher. A omnipresença da natureza na vida do homem levam-no a criar divindades ligadas aos seus ciclos (dia e noite, estações do ano). Por isso, a fecundidade da mulher e dos solos são frequentemente associadas.


– ALGUMAS PERGUNTAS PARA AVALIAR... –

1. Que outro nome é dado ao Paleolítico, a Antiga Idade da Pedra?
2. O que permitiu o domínio do fogo (3 exemplos)?
3. Para que servia o propulsor?
4. Que hominídeo corresponde ao homem atual?
5. Que outro nome é dado ao Neolítico, a Nova Idade da Pedra?
6. Que atividades artesanais foram descobertas durante a Revolução Neolítica?
7. Que nome damos à economia do período neolítico?
8. Que nome damos às grandes construções funerárias em pedra do Neolítico?